[FP CANNON] VELNALYS, MAEVOR

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[FP CANNON] VELNALYS, MAEVOR

Mensagem por Maevor Velnalys em Seg Mar 26, 2018 2:56 am

MAEVOR VELNALYS
Idade: 26 anos
Cargo: Arconte/Nobres Valirianos
Grupo: Império Valiriano
Estado Civil: Solteiro
Religião: Religião Valiriana
Títulos: Lord Velnalys, Dragonlord
Habilidades: Empatia Animalesca, Política, Argumentação
Atributos:
Agilidade: 4
Força: 4
Determinação: 4
Inteligência: 6
Carisma: 8
Resistência: 4


Foi sobre as ruínas de Sar Mell que paramos. O vento que batia contra nós era refrescante e trazia um grande sorriso à minha boca, mesmo com a pressão e a dificuldade para respirar com uma velocidade tão grande, então pousar foi uma sensação igualmente boa e ruim, o que eu considerava um mal necessário. — É um lugar desolado. — Comentei para a criatura, mas foi com a ironia dos deuses que me provei errado ao ouvir sons de cascalhos não muito ao longe, talvez três ou quatro construções demolidas à frente. — Olá? — Chamei, caminhando naquela direção, passando pelos escombros. — Quem está ai? Pode ficar calmo, eu não lhe desejo o mal. — Avancei pelas fileiras, sentindo que estava sendo observado. — Por favor, não se acanhe.

Uma voz pode ser ouvida, tímida, aguda e inocente. Senti o peso em meu coração, era claramente a voz de uma criança. — Pobrezinha, não tenha medo. — Eu esperava poder ajudar a criança chorosa. Nada ainda. Olhei ao redor para todos os escombros, não tinha como alguém viver sob aquelas condições, mas queria deixar a criança à vontade, então imaginei que não ter um dragão por perto seria de grande ajuda. — Jhohorys, vá, procure alimentos. Deixe-me com a pequena. — Disse ao dragão, com um sorriso no rosto, retornando para perto dele e encostando nossas cabeças. A criatura alçou voo e nos deixou com uma grande sombra passando por cima da cidade para voar entre as montanhas próximas. — Estamos sozinhos, viu? Vou sentar aqui, vou estar esperando.

Sentei sobre o que uma vez já fora uma parede e aguardei. Alguns minutos se passaram para que eu finalmente detectasse movimento entre as pedras novamente. Era um garoto, com o corpo coberto de poeira e cinzas, os cabelos longos emaranhados e com trapos para se cobrir. — Pobrezinho. Venha cá. — Chamei com um movimento de mão, abrindo então os braços de modo acolhedor. O garoto se aproximou vagarosamente e sorri quando ele já estava próximo, ainda com ressalvas quanto a mim. — Está vivendo aqui sozinho? Sua família lutou na guerra, não foi? — Perguntei, com dor na voz. Ele assentiu. — Sinto muito. Tenho certeza que fizeram de tudo para te proteger. Você pode vir comigo, se quiser. Será tratado muito bem.

Era uma promessa que eu fazia cumprir o máximo que podia. Nunca tive a mesma visão de que nossos servos deveriam sempre sofrer. Eles perdiam famílias, pais, filhos, irmãos e deveriam trabalhar para nós. Ao menos deveriam ter condições favoráveis, então eu fazia o que podia sempre para trazer mais conforto aos que visitava por toda a Cidade Franca. Era, afinal, melhor ser amado do que ser temido.

O garoto parecia refletir sobre o assunto e, virando-se para os escombros grito algo em uma das línguas corrompidas. Outras crianças apareceram, algumas mais velhas, outras mais novas. Sete, no total. — Estão todos juntos? É assim que têm sobrevivido? — Vasculhei minha bolsa de viagem, retirando algumas frutas frescas de dentro. — Comam. Vão gostar do sabor. Tem muitas delas de onde eu venho. Vocês podem voltar comigo. Jhohorys gosta de companhia. — Elas avançaram contra as frutas, vorazes. Poderiam estar há dias sem comer. Por seus portes físicos, claramente passavam fome.

Pois fiquei com as crianças por algum tempo, deixei meu dragão se alimentar livremente, ciente de que cedo ou tarde ele retornaria a mim. O sol que batia sobre nós felizmente não era tão forte, mas o clima das ruínas era severo de qualquer forma. Ao longe, um rugido anunciou sua chegada e em instantes a imensidão do dragão pousou imponente próximo de onde estávamos. — Não precisam ter medo, ele vai nos levar para um lugar seguro.

Corri para perto do dragão, acariciando-o, sentindo as duras escamas que compunham sua carcaça azulada. Ele rosnava como de costume, e farejava, aparentemente saciado. O mesmo primeiro menino foi quem se aproximou de Jhohorys primeiro. Ele parecia amedrontado e encantado e, por isso, pedi para que ele não chegasse muito mais perto. — Dragões precisam confiar primeiro, está tudo bem. — Novamente ele assentiu e o observou de lá, para só então gritar novamente na língua desconhecida.

Em instantes, aquele pequeno mundinho que construí com as crianças girou e se findou com o surgir de mais pessoas, dessa vez adultos, portando armas e com olhares e expressões ferozes, que não aguardaram comando para atacar. Era uma emboscada.

Desolado e chocado, não soube como agir, mas assim que as primeiras lanças começaram a chover contra nós, o dragão se pôs sobre mim, protegendo-me com sua dura carapaça, que não sofria danos com armas tão mundanas. — Por quê? — Questionei, em desgosto. Meu coração estava aberto àquelas crianças, eu iria protegê-las, e mesmo assim elas me desejavam o mal.

Não me restava outra opção a não ser a vergonhosa fuga. Entre uma saraivada e outra, encontrei tempo para subir às costas de Jhohorys e alçar voo, porém, o dragão não partiu como eu imaginava. Ele me desobedecia, pairando sobre os homens e as crianças ferozmente. Não houve um momento de contemplação. Não houve negação desesperada, muito menos gritos de desgraça. As chamas roxas consumiram tudo que estava em seu alcance, brilhando e reluzindo sobre as pedras que derretiam junto dos corpos que caíam, queimados, alguns já mortos.

Não! — Gritei, guiando o dragão para o chão novamente. — Não! Eles não mereciam! — Desci correndo. O calor das pedras era infernal e os corpos ainda queimavam. O cheiro forte misturava fumaça, a carne assando e o sangue quente que fervia, junto do pó e das pedras derretidas. Visceral e cruelmente, os pequenos corpos das crianças se espalhavam, as chamas arroxeadas ainda queimando em seus trapos. Uma garotinha, a mais nova do grupo, ainda tinha seu rosto parcialmente bem desenhado. As queimaduras não derreteram seu corpo e, nos seus brilhantes olhos acinzentados, agora mortos, eu podia ver o reflexo das chamas roxas ao seu redor.

Sua expressão era tão serena, tão natural. Mesmo no momento de morte ela estava bem. A última coisa que vira fora uma explosão de chamas roxas. O calor e o fogo a mataram antes mesmo de sentir dor. Ela morrera pacificamente. O fogo não parava de queimar e não consegui segurá-la, mas a observei com pesar e algo mais, uma estranha sensação, como se o peso do mundo e a leveza de estar voando se encontrassem em meio ao caos. Então percebi. Eu estava feliz por ela. Ela não sofria mais, ela não precisava mais passar fome ou frio ou calor. Ela não precisava mais viver com medo de como seria o próximo dia ou se haveria um próximo dia. Os deuses a chamaram e agora ela dançava em seu reino divino com seus irmãos e amigos.

Não percebi em que momento eu comecei a sorrir, mas algo era certo: O roxo das chamas a haviam libertado de todo o seu sofrimento mundano. E agora ela gozaria da eternidade graças a mim. Tanto tempo gasto tentando reconfortar o povo que me servia quando a resposta estava bem na minha frente, quando as vezes eu até montava nela. A verdadeira paz e o verdadeiro conforto não estavam aqui na vida terrena, mas sim junto aos deuses. E eu, com todo o meu poder, poderia ajudar os outros a alcançar essa paz. Seria tão simples. O fogo que perpetuava queimando sobre os corpos era o combustível que me guiava nessa direção. — A morte pelo fogo é a mais pura... — A constatação surgiu, enfim, em meio a um riso que crescia sozinho entre as ruínas.


Maevor Velnalys
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Re: [FP CANNON] VELNALYS, MAEVOR

Mensagem por The Stranger em Seg Abr 02, 2018 7:03 pm

Avaliação de Cannon
Pelo Estranho, houve uma reviravolta nessa ficha. Maevor, o que lhe aconteceu? Notou-se perfeitamente a forma como você compreendeu bem as informações dadas acerca do cannon e interpretou como você via isso no personagem. A narração ficou muito bem feita, indo de encontro ao que procuramos neste cannon. Sendo assim, ficha aprovada. Agora, está livre para pedir seus Dotes Iniciais e começar a postar.
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