[RP fechada] Call me from the Dark

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[RP fechada] Call me from the Dark

Mensagem por Ayisha Vhasserah em Qua Mar 28, 2018 2:15 am

Call me from the Dark
RP fechada, na qual participam Ayisha Vhasserah e Syndor. O ano é 114AC, há uns meses antes do momento atual. Passa-se na bela cidade de Lys, num agradável clima de verão. Os dois assassinos reencontram-se, embora cada um se lembre do outro de uma situação totalmente diferente. Um vê o passado, outro o futuro. O que pode sair disso, não é?
Ayisha Vhasserah
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Re: [RP fechada] Call me from the Dark

Mensagem por Ayisha Vhasserah em Ter Abr 03, 2018 6:34 pm

Call me from the Dark
O coração apertava-a. Palpitava, como qualquer outro, garantindo que estava viva. Talvez apenas a um ritmo ligeiramente mais acelerado. Contudo, o aperto era algo diferente, e a camada espessa de gelo que envolvia o órgão sentia um ardor que a derretia aos poucos. Ayisha detestava (e amava) isso. Aquele fogo queimava-a por dentro, o que a deixava incerta em relação ao palpitar do coração: por quanto mais tempo aguentaria as chamas? Tal questão assombrava-a silenciosamente, mas o que ela não queria admitir é que aquele calor era essencial à sua sobrevivência, pois um humano não consegue sobreviver num clima gelado por demasiado tempo e, no fundo, ela não passava disso, por muito que às vezes pudesse não o parecer. Era humana. O corpo absorvia o frio até não poder mais; era uma lei da natureza, e aquela a que fora dado o nome Vhasserah não ia poder absorver muito mais frio, mesmo que tentasse com todas as suas forças. A chama que incandescia o seu corpo, queimando o coração, crepitava cada vez mais, tanto que lhe gritava aos ouvidos. E, da mesma forma que um corpo já gelado depois de queimar de frio, já a este habituado e, temendo voltar a queimar, renega o mínimo de calor que o tenta tocar, o coração envolto em gelo da assassina queimava dolorosamente. Não no mínimo calor, sequer, estava no máximo, aproximando-se de uma sobrecarga. Assustava-a, tendo em conta que ela já não sabia sequer que precisava de calor. Então, volta-se à questão: quanto tempo?

Dez anos. Fora essa a quantidade de tempo passada num clima frio e quase inóspito, não estivesse já ela minimamente habituada. Nunca previu sequer uma mudança nas condições climatéricas da sua vida, mas agora conseguia ver de forma clara a luz ao fundo do túnel — brilhante, não era a luz do sol, mas sim, adivinhe; fogo. Como é que uma pessoa tão gelada podia ter como destino, em todos os caminhos que tentasse levar naquela sua vida, o fogo? As próprias íris, coloridas como gelo, pareciam mais vivas, e a cor vibrante. Há muito tempo que aqueles olhos não ficavam tão alegres, na sua reflexão do interior da Pesarosa. Não que ela se apercebesse disso. Estavam tão bonitos quando a cidade de Lys, a ilha paradisíaca que se tornara o seu destino. O mundo era belo, mas mais ainda ali. Um detalhe que ela nem sempre percebera, mas daquela vez, como que por uma inevitável exceção, notara na beleza da cidade, embora não fosse a primeira vez que ali estivera. — O mundo é belo. — Dos lábios escapava tal murmúrio, impercetível para os que a acompanhavam no navio. As íris cintilaram quando se ergueram, para tragar os pormenores daquele pequeno paraíso. Certamente lhe traria boas memórias, em poucos dias. As pálpebras fecharam-se de seguida, permitindo-lhe o uso dos outros sentidos. No peito, ainda sentia o coração em combustão. Uma bomba relógio, aguardando o momento da sua explosão. Estava próximo.

O desembarque fora feito sem problemas. Ser mulher dificultava-lhe muitas vezes a vida, porém, naqueles dias os deuses sorriam-lhe. O vulto quase totalmente negro, não fosse a pele de mármore, desapareceu do porto de Lys ainda nem o navio estava propriamente seguro no porto. As mãos enluvadas, sem haver sequer frio algum no exterior, apertavam um papel há muito amachucado e desgastado, embora a sua manufaturação tivesse sido recente. A mensagem nele contida era, na verdade, irrelevante. As palavras tinham sido totalmente assimiladas pela assassina de tal forma que podia reproduzir a caligrafia com perfeição na sua mente, incluindo até a pequena mancha de tinta que borrara o ponto do “i”. Os pés velozes demonstravam a intenção que tinha de vasculhar toda Lys pelo que procurava. As passadas urgentes, os olhos captando todos os detalhes, vagueando e observando todos os rostos. Não era difícil concluir que procurava alguém. Procurar era a sua intenção e procurar foi o que fez.

A Terra deslocou-se na sua órbita, o sol já se aproximava do horizonte quando entrou em mais uma estalagem. O corpo já sentia o degrado de percorrer tantas outras em busca de informações, contudo, Vhasserah não o sentia. A força que a deslocava já não era sua, mas antes de um outro lugar que ela não sabia ao certo dizer. Talvez a força do fogo que a consumia. À medida que as passadas a levavam para a frente do balcão, nele depositou a sua palma, o olhar necessitado encontrando os olhos violeta do estalajadeiro. Neste delongou-se por uns instantes, até afastar a palma. No seu lugar tinham ficado moedas de ouro. — Eu quero informações. — As três palavras, diretas ao assunto, não deixavam dúvidas a não ser: sobre o quê? Foi com um alívio quase impercetível no rosto jovem — não fosse o vinco entre as sobrancelhas a, finalmente, desaparecer, após todo aquele tempo —, que se dirigiu não ao mesmo sítio por onde entrara, mas às escadas. A madeira fraca quase rangeu sob os pés leves da assassina, não estivessem já estes treinados para evitar aquilo. Última porta à esquerda. As passadas agora eram lentas. Era difícil explicar ao certo o porquê, de tantos motivos que haviam para aquilo.

Ayisha Vhasserah manteve-se imóvel em frente à porta. A madeira parecia-lhe ameaçadora. Um objeto do seu quotidiano que agora parecia ser capaz de engolir as suas esperanças. O punho cerrado tocou finalmente a porta, provocando um ruído mínimo que, ainda assim, foi capaz de a perturbar. Não o fez descuidadamente: usou o toque padrão, num ritmo que não ia ser reconhecido por qualquer um. Um detalhe. A espera foi curta, mas infernal. Todo o segundo valia para aquelas duas íris de gelo, que baixavam gradualmente, por cada segundo à espera de uma resposta. Quando, enfim, se ergueram, não conseguiram perceber o que viam. À sua frente, um homem seminu e uma cena no quarto que ela analisou, sem precisar de muito tempo para o fazer. As sobrancelhas franziram-se, denunciando-se um misto de sentimentos sentidos, difíceis de decifrar. Podia parecer raiva, mas era mais que isso. A própria assassina fechou a porta, virando as costas ao se afastar da mesma. O olhar fitou as placas de madeira do chão, embora não as visse. A cabeça totalmente baixa inclinou-se levemente para a direita, onde, a meio do corredor, ia encontrar as escadas. Soltou um suspiro que lhe pesava no peito, antes de lançar um último relance para a esquerda. Havia uma janela. Não soube dizer porquê, mas aproximou-se da mesma. O objetivo era ver o cenário lá fora, talvez até sair por ali, mas não foi o sol que brilhava no exterior que atraiu o olhar.

Última porta à esquerda. Era aquela. Havia uma última porta, um pouco mais escondida. Nesse momento, sentiu que o coração tinha caído do seu lugar, ficando a bater solitário no chão de madeira, tanto que teve de olhar para se certificar de que não o tinha deixado cair. Novamente, bateu com o punho na porta, na sequência ritmada. Dessa vez, não houve tempo de espera. Não houve tempo para se preparar. Não houve nada a não ser a confusão e o calor sentido. Haviam braços à sua volta e, atrás, a porta de madeira, já fechada. Os seus olhos não conseguiam ver nada, a não ser o ambiente do quarto: janelas abertas, com cortinas frágeis esvoaçando, e a cama ainda — ou já — feita. Isto é, até que os fechou, mesmo sem ver quem a pessoa era ao certo. Não sentia a necessidade de o fazer. Sentia os olhos a aquecer: as lágrimas eram quentes, tão quentes que queimavam. Um resquício das chamas que já não conseguia mais conter no seu interior. — Dennis? — O gelo derreteu mais um pouco. Podia jurar que sentira um bloco em fusão a cair do coração, desintegrando-se na lava que o rodeava. Será que Ayisha Vhasserah iria conseguir sobreviver àquela derradeira aventura?

Tag: Sem "Syndor" Dor
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